Sofia sempre foi uma mulher discreta. Casada há dez anos, mãe dedicada, profissional competente. Mas havia algo que a inquietava nas noites silenciosas... Uma vergonha que carregava desde a adolescência e que nunca conseguiu elaborar completamente.
Porque é que algumas mulheres pareciam ter um segredo que ela desconhecia?
Uma tarde, enquanto o marido dormia a sesta, Sofia deu por si a observá-lo com novos olhos. A forma como a luz incidia no seu rosto, a tranquilidade do seu sono...
Foi então que se deu conta: há quanto tempo não se permitia simplesmente sentir?
Começou devagar. Um toque suave no braço dele, o movimento quase imperceptÃvel do peito a subir e descer. Notou como o seu próprio coração acelerava.
"Isto não é sobre ele", pensou. "É sobre mim. Sobre me permitir redescobrir quem sou."
Naquele momento, Sofia compreendeu que a verdadeira intimidade começa connosco próprias. Que não há vergonha em explorar, em sentir, em descobrir.
E pela primeira vez em anos, sorriu para si própria com uma confiança renovada.